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Como o caixa ilustrada virou mais que um blog sobre ilustração (ou como que eu descobri que caixa ilustrada era um nome genial)

setembro 10, 2018

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Fiquei um tempinho sem dar as caras, até que semana passada consegui postar um texto que eu estava há tempo querendo escrever. Dessa vez o hiato foi menor que dos outros anos, mas a vontade interna de largar tudo só pra escrever pra vocês fez parecer uma eternidade. Mas que bom estar de volta.

Nesse período muita coisa aconteceu: mudei a forma como eu estava empreendendo com minhas cerâmicas e comecei a estudar mais sobre criatividade. Toda essa transformação interna acabou me fazendo repensar sobre o Caixa Ilustrada.

O blog começou com a ideia de ajudar quem estava embarcando no mundo da ilustração mas mais focado no “ser ilustrador” do que na parte técnica do trabalho. A minha vontade era poder fazer um site em que mostrasse o caminho das pedras para quem estava iniciando na carreira. Mas com o passar do tempo, comecei a escrever textos destinados a todas as pessoas que trabalhavam com ofícios relacionados a criatividade.

Mas por que restringir o blog só para quem trabalha na indústria criativa se todas as pessoas são criativas? Entendi que, além dos assuntos abordados anteriormente, eu deveria falar sobre criatividade em geral: a sua importância, como usá-la e como criar confiança criativa.

E no meio desse raciocínio todo fiquei pensando sobre como viver uma vida criativa era sobre o tempo todo sair da sua zona de conforto e pensar fora da caixa.

CAIXA.

CAIXA ILUSTRADA.

Eu nunca tinha me tocado que o nome do blog poderia ter essa interpretação e foi tão lindo fazer essa descoberta. Pensar fora da caixa é procurar novas respostas que talvez você não tenha, é enxergar o lado de fora. Pensar fora da caixa sabendo que essa caixa é sua é ter empatia com o que está fora da gente – o mundo ao nosso redor -, é sair do conhecido para o desconhecido, mas não é negá-lo. É mudá-lo, personalizá-lo e deixá-lo mais colorido. Do seu jeito.

E pra pensar fora da caixa é preciso entender o que está dentro dela também. Por isso, não seria possível eu falar aqui só sobre ilustração ou criatividade de forma rasa. É preciso falar sobre autoconhecimento, confiança criativa, educação, inovação e sociedade. Só assim será possível o entendimento da importância de ser criativo hoje e amanhã.

O blog ainda continua sendo para ilustradores mas também pra quem quer libertar o seu poder criativo. Vamos nessa?

A arte de ser rejeitado

agosto 31, 2018

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Ilustração: Gizem Vural

Me lembro muito bem do meu último dia de escola, eu me sentia livre e com a sensação de que eu poderia dominar o mundo. Sempre fui uma menina nerd e comportada dentro de casa. Eu seguia as regras para não ter dor de cabeça – mas no fim de tudo era só um grande medo de ser rejeitada. Com o fim da escola e com a possibilidade de morar sozinha, eu sentia que todos os meus problemas tinham acabado: eu não precisaria mais me preocupar em ser perfeita com minhas notas altas e ser boazinha para os meus pais.

Eu não tinha mais que me preocupar com a rejeição. Eu era uma garota livre e com um mundo inteiro para conquistar.

Entrei na faculdade e percebi que as coisas não eram tão diferentes assim. O ensino universitário é também baseado em notas e dificilmente eu tinha um atendimento individual para que algum professor pudesse me auxiliar em qual carreira escolher dentro do meu curso.

Achei então que no trabalho eu poderia desenvolver minhas potencialidades, mas a história era bem parecida. Pediam para que fôssemos mais criativos e espontâneos mas na primeira oportunidade de criar um projeto inovador eu era barrada: “ah, isso não vende”, “isso nem vai passar pela diretoria”, “melhor a gente fazer o tradicional pra não ter erro”, eram algumas das desculpas que eu recebia. E pra entrar no jogo, comecei ser mais certinha, acatar com o que os meus chefes falavam e voltei a ter medo de ser rejeitada.

Saí das empresas, fui ser freela. Agora era a minha hora! Dessa vez eu ia conquistar o mundo, eu não tinha mais que dar satisfação pra ninguém. Mas o medo da rejeição já estava em mim e mesmo com muita coragem, às vezes eu paralisava, porque eu não queria errar e mostrar qualquer vulnerabilidade. E parecia que a cada ano que passava, eu tinha mais medo e menos coragem. Que que tava acontecendo?

Pois bem cansada que eu estava fui entender a rejeição. Falei sobre isso na terapia, procurei na internet e assistí a vídeos. Até que entendi que eu precisava relaxar, levar a vida menos a sério, brincar mais. Com essa premissa, resolvi entrar em qualquer desafio com o pensamento de “seja lá o que aconteça aqui, coisas ou boas ou ruins, estou aprendendo” e muita coisa mudou.

Me tornei mais curiosa. Quando alguém me critica ou não concorda com algum projeto meu, pergunto o por quê.
Quando me rejeitam, deixei de me colocar como vítima e tento entender o outro.
Quando exponho me opinião, não me coloco mais como sabichona.
Em palestras, eu parei de decorar o que iria dizer. Hoje vou com tudo na minha cabeça e só. O que eu sei, eu sei. O que eu não sei, aprendo com as trocas.

E quando eu vi, a minha vulnerabilidade virou um canal de conexão com outras pessoas. E o medo diminuiu.

Não que em algumas situações, eu não me veja paralisada. Acontece.
Mas hoje tenho mais consciência e confiança de que não é correndo da situação que eu conseguirei enfrentá-la.

É preciso viver sem o peso de “ter que dar certo”. É preciso não ter controle de nada. É preciso aceitar as possibilidades da vida.

Texto baseado no vídeo do TED:  “O que aprendi em 100 dias de rejeição” de Jia Jiang.

O que você vai ser quando crescer?

maio 25, 2018
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Ilustração: Davide Bonazzi

Escolher uma carreira não é fácil, ainda mais quando você é praticamente uma criança. Ao entrar no colegial, com 16 ou 17 anos, já somos bombardeados pelos nossos pais e professores para definirmos qual carreira devemos seguir para o resto da nossa vida.
Como escolher uma profissão tão cedo quando você nem sabe quem você é?

Eu, por exemplo, escolhi fazer Publicidade e Propaganda porque gostava de desenhar e escrever. No terceiro ano da faculdade já tinha percebido que trabalhar nessa área não era a minha praia, mas me formei porque faltava apenas um ano para minha formação. Saí da faculdade para trabalhar com outras coisas e nunca mais voltei para uma agência.

Quantas vezes você não ouviu histórias de pessoas que fizeram uma escolha na faculdade e exerceram outra profissão mais tarde? Bem comum, né?

Há, também, pessoas que seguiram todos os passos para o sucesso, se dedicaram anos em um emprego e quando alcançaram a tal carreira bem sucedida se sentiram infelizes. Outro caso, são as pessoas bem sucedidas, filhos formados, casa própria e uma carreira bem consolidada, que não estavam infelizes com suas carreiras mas sentiam a necessidade de ter uma carreira bis onde o trabalho tivesse mais um significado pessoal, renda contínua e impacto social. Porém achavam que era tarde demais para começar uma nova carreira.

O que há de comum entre esses eventos? Nessas três histórias, existem três crenças distorcidas que deveriam ser desmistificadas. A primeira sobre o diploma determinar sua carreira para o resto da vida é preciso ter consciência de que, hoje, grande parte dos formados não atuam na sua área de trabalho. A segunda sobre alcançar o sucesso e se sentir infeliz é preciso lembrar que para encontrar satisfação no trabalho é necessário projetar uma vida que funcione pra você. Para o terceiro caso, nunca é tarde demais para encontrar uma nova carreira. É possível se reinventar sempre.

Em todos estes casos é preciso entender que mudanças são comuns, tanto no âmbito pessoal quanto profissional. A cada ano passamos por novas experiências, formulamos novas opiniões e nos conhecemos melhor. Vivemos muitas vidas durante uma vida só. Por que, então, com o seu trabalho deveria ser diferente? Com essa consciência, fica mais fácil encontrar um emprego que te traga mais satisfação pessoal.

Se você quer rearranjar sua carreira, mas não sabe por onde e nem com o que você gostaria de trabalhar, aqui vão alguns exercícios para te ajudar nessa jornada:

  • Durante três semanas, mantenha um diário em que você anote suas atividades do dia (não necessariamente só relacionados ao trabalho.)
  • Em cada atividade, dê uma nota de um a cinco para os aspectos de energia e visão de vida (condições de qualidade de vida você quer ter) e de trabalho (quais as condições de trabalho você quer ter). Dê match entre elas e entenda que estilo de vida estas duas visões se encaixam.
  • Através desse diagnóstico, você terá em mãos que tipo de vida quer levar e quais atividades tem mais a ver com você. Assim, será possível esboçar alguns tipos de profissões possíveis e que se encaixam nesses tópicos.
  • Antes de investir em uma nova carreira, faça uma busca de campo e teste: entreviste profissionais da área, escolha as que você mais se identifica e faça um estágio, curso, trabalho voluntário ou acompanhe um dia trabalho de algum profissional da área para que você possa vivenciar a profissão no dia-dia.
  • Se achar que encontrou o trabalho que buscava, se jogue!

Tenha consciência de que esse rearranjo tem que ser feito com frequência. Como disse, estamos em constante transformação e, inevitavelmente, nossas carreiras também. Por isso, não se sinta um estranho com essa inquietação. Lembre-se: a vida é um ciclo, não uma linha reta.

Texto baseado no livro O design da sua vida – Como Criar uma Vida Boa e Feliz, Bill Burnet e Dave Evans. R$ 29,50 (Editora Rocco)

Como monetizar o seu hobby não significa ter satisfação no trabalho (ou como se autoconhecer é melhor jeito de encontrar um trabalho massa)

maio 7, 2018

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Em menos de três anos, nascia o que viria a ser um fenômeno: as feiras de pequenos produtores (ainda bem.) A cada ano, o número desses eventos só aumenta. Com ela, veio também o aumento dos pequenos produtores – e esse fenômeno me chamou muito a atenção pois além de eu ser uma pequena empreendedora, também adoro pesquisar sobre pessoas (e entender fenômenos.)

A minha maior curiosidade sobre esses acontecimentos era de que se esse aumento de pessoas trabalhando com processos manuais não estava ligado à vontade das pessoas trabalharem com o que amam. Afinal, todo mundo fala que para ser feliz é preciso trabalhar com o que se ama, não é mesmo?

Perguntando para os meus leitores através do meu instagram descobri que, como eu suspeitava, as pessoas estão cada vez mais monetizando seus passatempos em busca de uma maior satisfação no trabalho.

Ainda com uma pulguinha atrás da orelha, me surgiu uma nova pergunta: mas essas pessoas tiveram essa tal satisfação no trabalho? Pedi novamente ajuda no meu instagram e eis que achei quatro histórias bem legais sobre assunto. Vamos lá?

Luiza : transformou seu passatempo em trabalho full time e está dando certo.

Luiza era fotógrafa quando começou a fazer macramê nas horas vagas. Ela, anteriormente, tinha transformado a fotografia, que era seu hobby, em trabalho mas não estava mais feliz com essa profissão porque tinha que fazer trabalhos que coincidisse com a expectativa do cliente – que nem sempre seguia o que ela queria fazer. A visão do cliente influenciava muito mais no resultado final do seu trampo que sua vontade e isso a deixava frustrada.

Em busca novamente em fazer o que amava, foi trabalhar com um outro passatempo: o macramé. Só que dessa vez uma forma diferente: não queria ceder às pressões do mercado para adaptar seu trampo a visão do cliente  – mas com consciência de que ela não podia simplesmente negar a existência e expectativa do seu consumidor. Para que isso acontecesse, criou uma marca com sua identidade e deixou bem claro a sua forma de trabalho ao cliente: projetos mais autorais que podiam ser conciliados com o gosto dele.

Hoje, ela sente que é feliz e realizada com sua nova profissão porque sabe que todo trabalho tem a sua parte chata mas que isso não precisa ser a parte mais importante do processo. Para isso, ela sempre tem que se lembrar o porquê dessa escolha: fazer algo com a sua cara e que condiz com sua visão de vida. Quando ela percebe que está fazendo um trabalho que não tem nada a ver com ela, ela dá uma pausa, relembra o porquê fez essa escolha e muda a forma de trabalhar.

Concluindo: entender que existe um mercado a ser seguido e não achar que transformar seu passatempo em trabalho é a solução dos seus problemas já é um ótimo passo. No caso de Luiza, ela resolveu monetizar novamente o que ela gostava de fazer nas horas vagas mas de uma forma diferente: seguindo o que ela acredita e, nesse caso, ela acreditava que era preciso fazer um trabalho com sua assinatura, assim não teria que lidar com o que a tanto desmotivava no trabalho anterior que era seguir a visão de seus clientes.

ANA: está tentando entender essa transição.

Ana trabalhava dando aula de artes para crianças na prefeitura. Durante esse tempo, começou a ilustrar e fotografar. Queria trabalhar com o que gostava e ter várias fontes de renda. Com o passar do tempo, percebeu que gostava muito de desenhar e achou que seria a hora de virar ilustradora full time e ter o desenho como uma renda fixa. Saiu da prefeitura e virou desenhista freelancer.

Neste período de transição, ela passou por alguns perrengues: o que gerava uma grana complementar, agora precisava gerar a renda para pagar as suas contas, o fluxo de trabalho não era o suficiente e isso a deixou confusa. Será que deveria continuar ou deveria procurar um outro emprego?

Apesar da dúvida, hoje ela se sente mais aliviada do que trabalhar na prefeitura. Mesmo ainda entendendo se quer trabalhar com ilustração, ela tem a certeza que quer trabalhar com algo relacionado. E nesse período, tem conversado com quem está no mercado e com quem que está na mesma situação que ela para ver se isso esclarece seus questionamentos.

Concluindo: A transição de hobby/trabalho part time para trabalho full time faz com que você coloque uma responsabilidade maior sobre algo que você ama (afinal, ele tem que que te bancar) e enquanto você vai entendendo o mercado, você pode ficar confusx. É possível, que você pegue raiva do que faz ou que precise de mais tempo para se adaptar. É um caminho meio longo e nem sempre você saberá a resposta de primeira. Mas para entender, é preciso experienciar. E por isso, conversar com pessoas que estão no mercado e passando pela mesma situação que você possa ajudar a clarear  as suas ideias.

JÉSSICA: não gostou de monetizar seu passatempo e decidiu a trabalhar como freelancer na área que atuava anteriormente.

Jéssica era designer, mas cansou da vida em agência porque estava infeliz e achava que o principal motivo era não ter autonomia para fazer trabalhos “com a sua cara”. Pediu demissão e foi morar fora.

Para fazer novas amizades no novo país, fez um curso de jóias, conheceu vários joalheristas e idealizou ter sua própria marca. De volta a São Paulo, sua cidade natal, fez um estúdio em sua casa e começou a vender suas peças autorais pelo instagram. Achou que transformar seu hobby em trabalho faria ela feliz – afinal, era a melhor combinação possível.

Com o público crescendo, quis investir em um espaço maior para que pudesse comprar mais maquinários e receber seus clientes. Alugou um ateliê e para pagar todos os seus gastos, começou a participar de todos os eventos possíveis, além de ter uma loja online. E em 6 meses já conseguia viver com este novo emprego. Sucesso, certo? Sim, mas ela não estava feliz – apesar de gostar de falar para os amigos que era uma empreendedora de sucesso.

Para dar conta das feiras e de seu e-commerce, ela tinha que fazer um estoque insano, trabalhava muito e não tinha tempo para sua vida social. Ao mesmo tempo que ela se sentia orgulhosa por ter realizado seu sonho, ela estava muito cansada e, por dentro, muito ansiosa. Resolveu fazer terapia.

Durante as sessões, entendeu que não queria trabalhar mais dessa forma e antes que odiasse pra sempre o mundo das jóias, deu um passo atrás. Saiu do ateliê, voltou a ter seu ateliê em casa e fazer uma produção menor – conciliando com freelancers de design.

Nessa nova fase, conseguiu ter mais tempo para si e para a vida social e hoje, se sente mais tranquila porque tentou a vida de joalherista que tanto idealizada mas percebeu que na prática não queria viver uma vida de empreendedora.

Concluindo: Em São Paulo, temos uma cultura de que você é o que você faz. Aqui, geralmente depois de perguntarmos o nome de alguém que acabamos de conhecer, perguntamos qual o seu trabalho. Resumindo, o trabalho basicamente define quem somos: as pessoas com que nos relacionamos, o nosso estilo e os lugares que frequentamos etc. E isso é bem ruim porque achamos que o trabalho define quem somos.

A Jéssica realmente se encantou com jóias, mas havia se encantado ainda mais com a ideia de ser dona da sua própria marca. Testar na prática a profissão que almejava fez com que ela experienciasse essa vida e a desmistificasse. Entendeu que um emprego não a definia: não ser autoral como designer não significava que ela não era uma pessoa criativa e que não poderia fazer trabalhos com sua identidade em outras coisas sem necessariamente monetizá-las. Não ganhar dinheiro com isso não deslegitimava a sua criatividade.  

GABRIELA: Em vez de trabalhar com o que gostava de fazer, foi trabalhar com o motivo pelo qual ela gostava do seu hobby.

Gabriela sempre gostou de artes performativas: dança, teatro, música, ópera, entre outros. Acidentalmente, acabou estagiando no instituto Baccarelli durante a faculdade.

Quando se está dentro de um ambiente em que é possível vivenciar diariamente o seu hobby, é comum que as pessoas fiquem propensas a estudar mais sobre o assunto e virem o próprio passatempo, no caso da Gabriela, virar musicista. Mas não foi o caso.

Gabriela resolveu trabalhar com o seu hobby de uma outra maneira: ajudando a organizar as apresentações do instituto, desenvolvendo projetos, criando eventos que explicassem melhor sobre música clássica etc. Hoje, gabi é assessora de programação artística na Filarmônica de Minas Gerais e trabalha para que cada vez mais as pessoas conheçam a música clássica para que elas possam sentir que essa música proporciona a ela. Ela se diz uma pessoa muito feliz no trabalho.

Concluindo: Não é preciso trabalhar literalmente com o que te motivava, é possível trabalhar com o motivo pelo qual você gosta do seu lazer. Mas pra isso, é preciso entender qual é a razão principal (a raíz) para gostar do seu hobby.

CONCLUSÃO GERAL: Em busca da felicidade no trabalho e tentando vivenciar o “trabalhar com o que se ama”, as pessoas estão literalmente transformando seus passatempos em ofício. Trabalhar com o seu hobby pode ser bem massa mas pode se tornar um pesadelo – depende muito da relação entre a pessoa e novo desafio.

Pra isso, é preciso desmistificar essa tal felicidade plena de trabalhar com o que se ama. Afinal, nem sempre o trabalho vai ser legal, nem sempre o processo vai ser tranquilo. Não podemos nos esquecer também que quando trabalhamos com algo que amamos, colocamos uma carga emocional e uma expectativa muito grande sobre o trabalho. 

 

Por isso, antes de monetizar seu hobby, tente entender a raiz desse amor. Tente entender qual o motivo principal pelo qual você gosta de tal atividade. Exemplificando, se você ama cinema, pode ser que queira ser um cineasta ou um roteirista, mas talvez o que te chama atenção nos filmes não é a parte técnica e, sim, a parte emocional: as histórias, as psiques de cada personagem e, no final, o trabalho dos seus sonhos é ser psicólogo – ouvir mais outras histórias todos os dias.

Para entender o que você realmente gosta é se autoconhecer. De novo: vá a terapia, fale, exponha seus sentimentos e tente entender o que você (somente você) quer fazer.

Se você chegar a conclusão que quer transformar seu hobby em ofício, pergunte às pessoas que já trabalham na área como é o mercado e o dia-dia dessa profissão. Veja se ela se alinha com sua visão de vida. Faça um test-drive antes, trabalhe em um estágio ou em meio período. Desmistifique! Se você se sentir seguro, se jogue. Se achar que não se encaixa, dê um passo atrás, recomece e não se esqueça jamais de quem um trabalho não te define. A nossa vida é cheia de outras vidas, melhor tentar do que ficar parado no mesmo lugar – e reclamando.

E você já teve alguma dessas experiências? Conta pra mim aqui embaixo.

 

Como a busca incessante em ser feliz no meu trabalho me deixou infeliz (ou como eu aprendi que a busca para ter um trabalho significante é outra)

maio 1, 2018

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Antes de começar este texto, gostaria de fazer uma introdução sobre os artigos que vocês vão ler no mês de maio (mês em que comemoramos o dia do trabalho) aqui no Caixa Ilustrada. Serão três textos sobre o mesmo tema: “trabalhar com o que ama e felicidade.” Em conversas com amigos, vejo que tem bastante insatisfeita com seu próprio trabalho ou carreira, por isso resolvi investigar se é possível ser feliz no trabalho. Então venham comigo nessa investigação e me ajudem a achar respostas comentando após cada texto.o. Bora começar a leitura?

“Como ser feliz no trabalho!”

Quantas vezes você já leu essa chamada? É artigo de revista, é livro, é post em blog. E quantas vezes ela não vem seguida da frase “para ser feliz no trabalho, é preciso trabalhar com o que se ama.

 

Eu, como todo mundo que quer ser feliz na vida, li todos os tipos de matéria sobre o tema. A máxima “é preciso ser feliz no trabalho” me fez acreditar que eu só teria sucesso e ficaria satisfeita com um emprego se eu fosse feliz e em toda a minha fase adulta, fui procurar essa tal felicidade. Só que essa busca só me deixava cada vez mais triste porque era incessante: eu nunca me sentia feliz mesmo sempre trabalhando com o que eu amava. Percebi então que talvez para entender melhor o que estava querendo me dizer, eu tinha que entender a raíz dessa frase: afinal, o que é felicidade?

 

Segundo o dicionário Michaelis, felicidade é um estado de espírito de quem se encontra alegre/satisfeito ou acontecimento/ situação feliz ou alegre.

Certo! Mas e o que é a busca da felicidade que estamos perseguindo tanto na nossa carreira?

Foi tentando dissecar esse assunto que encontrei em textos de psicologia e filosofia uma resposta que fazia mais sentido pra mim: “felicidade é um estado, não é uma condição de ser e, por isso, a busca pela felicidade é utópica visto que para ela realmente existir não poderia depender do mundo real, local onde a pessoa pode viver experiências como a derrota.” 

Bom, como sabemos, no trabalho sempre haverá dias bons e dias ruins – e algumas derrotas e frustrações. Então, ter felicidade plena no trabalho é impossível e, portanto, essa sentença jamais seria possível de ser realizada. O maior problema dessa busca é que você se projeta em um lugar que jamais será possível de alcançar. É uma guerra que já foi vencida antes mesmo de você começar a lutar.

Após entender isso, fiquei bem confusa mas não satisfeita com a minha resposta: não era possível que eu não conseguiria encontrar satisfação na minha vida profissional. E tentando me entender (e algumas seções de terapia depois), entendi que o que eu buscava era “tranquilidade” no trabalho e não felicidade.

Tranquilidade: Estado ou qualidade de tranquilo. Sem inquietação, perturbação ou alvoroço.

Para estar tranquilo em seu emprego é preciso realinhar muitas coisas como: entender que não existe trabalho perfeito, nem feliz, pois sempre haverá algo chato para ser resolvido nesse processo; que existe um mercado e é preciso seguí-lo se quiser pagar os seus boletos; e, o mais importante, entender qual é a sua visão de trabalho e sua visão de vida e alinhá-las. 

Das três coisas que falei acima, as duas primeiras dependem muito de condições externas (que não tem muito o que você faça) e a última depende apenas de você.

E o que é visão de trabalho? O que é visão de vida?

Visão de trabalho é o tipo de trabalho que você gostaria de ter pensando em suas condições, que podem ser: carga horário, local de trabalho, tipo de pessoas que quer interagir, o impacto desse trabalho na sociedade etc.

Visão de vida é o tipo de vida que você quer ter, que podem ser: onde você quer morar, que tipo de pessoas você quer se conectar, como quer dividir o seu tempo, quais as atividades que quer fazer, o que é importante pra você de verdade.

Só que pra ter essas respostas não é tão simples assim, mesmo porque tem vezes que a gente não sabe nem o que a gente quer almoçar. Para conseguir entender quais são as  suas visões é preciso ter autoconhecimento, autocuidado e terapia, muita terapia. É entender o que realmente faz sentido pra você – e apenas pra você. E não há uma resposta certa, nem imutável. É possível que você encontre este alinhamento hoje, mas que tudo mude amanhã. Nós temos mil vidas em uma vida só. Mudamos de opinião, temos novas experiências e amadurecemos. A sua visão de trabalho e de vida estão em constante mutação e entender isso também é bem importante.

Você pode ser o que quiser, inclusive ter um trabalho que goste e que se sinta realizado. Mas pra isso é preciso compreender o que você realmente quer. E não saber o que você isso é um dos motivos pelo qual muita gente que se frustra quando alcança o trabalho que tanto sonhou. Porque cria-se sonhos seguindo padrões da sociedade e pelo que falaram que é bom pra você.  

Estar tranquilo é estar em sintonia consigo mesmo. Além disso, para amar algo que você faz, primeiro você precisa se amar. É que nem um relacionamento mesmo. Não existe o “foram felizes para sempre” mas pode existir amor sim, desde que essa relação seja honesta.

Então, para qie você encontre satisfação no trabalho, vai aqui algumas dicas: vá a terapia, vá meditar, se ouça e tenha autocuidado. Saiba o que é realmente importante para você. E lembre-se que não é possível ser feliz o tempo todo em um trabalho. Desmistifique isso. Sabendo o que você quer e quem você é fica mais fácil encontrar o trabalho dos sonhos – e que esses sonhos também tenham as partes boas e ruins e que mesmo assim você deseje estar nele 🙂

O sucesso leva tempo. Lembre-se disso antes de desistir

março 16, 2018
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Ilustração: autor desconhecido

Trabalhar com criatividade sempre foi algo muito comum pra mim já que vivenciei tudo isso dentro de casa. Como eles trabalhavam em uma empresa de quadrinhos (um lugar fechado, hora pra entrar e sair), nunca me foi possível vivenciar o desenvolvimento de seus trabalhos. Pra mim, eles nasceram desenhista e letrista e fim. Eram bem sucedidos e eu queria ser assim também.

Nunca questionei esse processo até que resolvi trabalhar com isso.

Durante o meu começo, o caminho que segui foi difícil e demorado porque é assim que normalmente é – mas que me esqueceram de avisar. Pra entender que as coisas tomavam tempo, tive que voltar lá atrás: eu nasci em 1989, sou da geração Millenial. Geração em que nos foi ensinados que éramos especiais, podíamos alcançar o que quiséssemos – mesmo sem sair de casa, sem contato com pessoas -, e na hora que quiséssemos. Nascia assim uma geração de pessoas impacientes.

Foi saindo da faculdade e tendo que enfrentar a vida real que levei um grande tapa na cara. Para ter sucesso, eu teria que trabalhar duro, depender da ajuda das pessoas e estudar muito. Isso em qualquer ramo, não apenas no setor criativo.

São poucas as pessoas que eu conheço que passaram essa fase de forma saudável. Muitos entram em depressão (já perdi as contas de pessoas próximas a mim que passam ou já passaram por essa doença). A ansiedade crônica é cada vez mais comum e não a toa. A gente quer tudo pra hoje e não aceita errar.

Mais que isso, por conta das redes sociais onde é possível colocar um filtro em tudo, a gente não aprende a aceitar as nossas falhas. A gente se acostumou a escondê-las e não refletir sobre. Na nossa cabeça os momentos altos devem ser comemorados, os baixos jogados fora. Mas não é bem assim que funciona. É errando que se aprende, é doendo que você se auto conhece. 

Lembre-se, o sucesso não acontece em um mês e muitas vezes, nem em um ano (a menos que você tenha sorte, mas acho que não podemos contar sempre com essa opção, não é mesmo?) Ele demora 3, 4, 5, 10 anos pra acontecer. Então, se você ainda não alcançou o sucesso que quer – seja qual o tamanho desse sucesso -, não se vitimize. Reflita sobre o que você passou até chegar aqui. Em vez de reclamar, que tal tentar achar uma solução para alcançar seus objetivos?

Essa é a grande diferença entre pessoas que tiveram sucesso e as que desistiram. Elas souberam esperar sem estar parados. Enquanto o triunfo não batia na sua porta, elas questionavam a forma como estavam fazendo as coisas, pediam ajuda, trabalhavam e continuavam a olhar em frente com a confiança de que a hora delas iam chegar. 

Por isso, tenha paciência.

Texto baseado na entrevista de Simon Sinek – This is Why You Don’t Succeed

Artistas apresentando seu trabalho: processo criativo x portfólio

fevereiro 16, 2018
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Ilustração: sabrina arsenault

Quando vou em palestras de ilustradores ou designers,  sempre fico com o pé atrás. O que acontece é que quando o artista vai apresentar seu trabalho para uma audiência, na maioria das vezes – com algumas exceções, claro -, ele apenas mostra imagens de seus trabalhos e ficam divagando sobre quão grande e incrível foi aquele projeto mas de forma superficial e rasa. Pelo menos pra mim, é raro ir em uma apresentação e me mostrarem como chegaram nas soluções de seus projetos, quais tipos de ferramentas usou, por quê ou como foi o processo criativo pra chegar naquele resultado.

Minha esperança é de sempre sair inspirada dessas conversas e ter algumas perguntas respodidas: Por que eles trabalham com isso? Como chegaram até aqui? Quais são suas maiores inspirações? E nos dias ruins, como faz pra criar? E dificilmente isso acontece.


O que vejo, normalmente, são imagens que podemos encontrar facilmente em uma navegada na internet – e isso me irrita. Me pergunto se isso acontece porque as pessoas acham que é o que queremos ver ou porque não querem dividir o seu processo – já que existe o artista que não quer mostrar como faz as coisas com medo de que as pessoas o copie.

Enfim, daí que resolvi assistir o seriado Abstract do Netflix, série de pequenos documentário em que mostra a vida e trajetória de grandes designers de diferentes áreas no mundo: ilustrador, arquiteto, fotógrafo, cenógrafa, designer de interiores, de tênis e de carro.

Fui assistindo já imaginando que seria mais uma babação de ovo dos artistas do que uma série em que mostrasse a forma como pensavam, como chegaram ali, porque faziam isso etc. Quebrei a cara. O seriado é inspirador e me deu energia para continuar meu trabalho. Ali, consegui ver que grandes designers são gente como a gente. Eles também tem inseguranças, perdas na vida, trajetórias difíceis, muito trabalho e amor pela arte.

Nesse seriado, o que consegui ver foram pessoas reais que conquistaram o sucesso através do seu trabalho e acreditando em si o tempo todo. Não importava os obstáculos, os artistas mesmo com medo, seguiram em frente pois acreditavam em seu potencial. Assistir isso, me fez mais forte e com mais coragem para seguir em frente. E, finalmente, o que eu sentia falta em ver em palestras – que é o lado humano das pessoas, o Abstract conseguiu me mostrar.

Vale a pena tirar algumas noites na semana para se inspirar um pouquinho 🙂

Texto baseado no seriado Abstract – Netflix

4 ideias de encontros para ilustrar e se divertir com os amigos

janeiro 26, 2018
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Imagem: autor desconhecido

 

 

1 – Ilustrações temáticas: Escolha um tema! Através do assunto escolhido crie soluções criativas relacionadas a ele: pode ser uma ilustração, a criação de uma comida ou música. Todos devem participar juntos ou cada pessoa fica responsável por solução. Pra deixar a brincadeira mais nerd, vocês podem se vestir a caráter. A finalidade é apenas criar, sem pensar no resultado.

2 – Complete o desenho: Essa brincadeira é minha favorita para quando estou entediada, principalmente quando estou na praia e está chovendo do lado de fora. O game é o seguinte: pegue uma folha em branco e desenhe qualquer rabisco, o próximo deve completar o desenho. Quem desenhou por último é o responsável pelo próximo rabisco e quando terminar deve passar para outra pessoa –  e assim por diante. O objetivo é passar o tempo mesmo mas é um ótimo exercício para ajudar no desenho espontâneo. 

3 – Cumbuca: Coloque dentro de uma cumbuca nomes de materiais de arte que você tenha em casa – coloque estes materiais sobre a mesa. Cada pessoa deve tirar de três a quatro papéis de dentro do recipiente e criar com elas alguma ilustração. Se quiser deixar a brincadeira mais difícil, coloque em outra cumbuca temas do desenho que a pessoa tem que fazer. Para ficar ainda mais hard, coloque um cronômetro contando o tempo para que as pessoas realizem o desafio. É quase um programa do masterchef das artes.

4 – Drawing and drinking: Essa última ideia é o que eu basicamente faço uma vez por semana em casa com os amigos (encontro mais conhecido como Cosmic Lab). Normalmente, fazemos algum drink e, em meio a muita conversa e conselhos, desenhamos sem pensar muito no resultado. A ideia aqui não é focar na arte final, mas sim na troca de ideia e conselhos (é bem bom pros dias que você está meio de mal dos seus desenhos) e no prazer de criar só por criar.

E você, tem mais alguma ideia de jogos que incentivam a criatividade? Me conta?

Quais são as desculpas que você dá para não vivenciar o seu lado criativo?

janeiro 19, 2018
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Ilustração: oh gigue

Durante muito tempo, eu dei mil desculpas pra não seguir a minha vontade de trabalhar com desenho. Não tenho tempo, preciso ter um emprego de verdade e não sou boa o bastante eram algumas desculpas que eu usava.

No livro Your Inner Critic Is a Big Jerk: And Other Truths About Being Creative (que é o último livro que estava lendo), a autora Daniella Krysa também cita algumas outras desculpas mais comuns usados por gente como a gente que vive se boicotando.

Veja algumas das desculpas mais comuns e se identifique:

  • Medo: Eu tenho medo de falhar”, “Tem tantos artistas de verdade aí fora, porque eu tentaria?”, “Tudo que eu faço é ruim”, “Sou uma fraude”.

 

  • Culpar os outros: “Eu não consigo pintar quando todos estão em casa”, “Minha família não leva arte a sério”, “As pessoas precisam de mim”.
  • Ambiente não favorável: “Tenho muitas roupas para lavar em casa”, “Minha mesa está uma bagunça. Vou arrumar hoje e crio amanhã”, “Minha casa é muito pequena, não tenho espaço para criar”

 

  • Tempo: “Eu chego muito tarde em casa”, “Não faz sentido eu começar a criar algo agora se em três horas tenho que estar em casa”, “Eu preciso pensar muito antes de criar”, “Preciso encontrar uma referência. Acho que vou fazer uma pesquisa aqui no pinterest”, “Eu procrastino muito”

Todas essas desculpas tem, entre elas, uma coisa em comum: vitimização. Colocar a responsabilidade nos fatores externos para que a gente não alcance nossos sonhos é uma forma de evitar trabalho duro, dedicação e investimento do nosso tempo.

Mas vamos aos fatos: se você não correr atrás do que você quer, ninguém vai. E lembre-se: só você é responsável pelas decisões e caminhos que segue na vida. Então que tal parar de choramingar e mexer esse popô do lugar, hein? Quer mais uma ajudinha? Vou dar uma resposta para cada desculpa e você me promete que nunca mais vai falá-las em voz alta, combinado?

  • Medo: apenas pare de ter medo e se tiver medo, vá com medo mesmo assim. Como me disse uma vez, a incrível Ju Amorim: ou você escolhe se agarrar ao medo ou vc vai com ele de mãos dadas e se joga. Encarar as suas aflições só faz você vencê-las e perceber o quão pequenos eles eram. E o medo de falhar ou não ser boa o bastante só está na sua cabeça. Nada que você vá fazer vai desapontar alguém, muito menos aos que te amam – que eu acho que são as únicas pessoas que contam no final, não é mesmo?

 

  • Culpar os outros: Tome rédea da sua vida. Não culpe os outros pelas decisões que você faz. Seu destino só depende de você. E mais do que isso, seja um pouco egoísta e pense em você. Faça algo por você.
  • Ambiente não favorável:  Quando você tem tesão pelo que faz, consegue fazer até debaixo de uma ponte. Se tranque em algum lugar, impeça que as coisas externas te atrapalhe, coloque um fone de ouvido e se concentre apenas naquele papel ou tela branca que você tem. Esqueça o mundo aqui fora.

 

  • Tempo: Apenas haja. Pare de procrastinar e inventar atividades a serem feitas antes de criar. Pegue um papel e apenas comece. No início pode até parecer difícil, mas você precisa passar por esse processo para que a criação flua e se torne cada vez mais fácil e natural.

Pronto. Te ajudei? E que tal parar de inventar desculpas para sua vida ser sua nova resolução para 2018, hein? Vamos nessa?

Texto baseado no livro Your Inner Critic Is a Big Jerk: And Other Truths About Being Creative, Daniella Krysa. $12,85 (kindle)

 

 

Como conciliar trabalho pra ganhar dinheiros e trabalho que a gente gosta de fazer (ou como ter uma vida dupla não é tão ruim assim)

janeiro 15, 2018

 

 

Faz cerca de um ano e meio que comecei a escrever aqui nesse site para falar sobre coisas que li e experienciei no mundo criativo – muito mais como ilustradora e designer que em outro setor desse mercado. De qualquer forma, eu tenho tido um bom feedback aqui: pessoas de várias áreas comentando, mandando mensagem com dúvidas e dando sugestões de pauta. Uma das sugestões de post foi da leitora Sofia de Carvalho que pediu para que eu falasse sobre conciliar trabalho para pagar as contas com o trabalho que a gente gosta de fazer.

Sobre o tema, o melhor é que os dois tipos de trabalhos fossem um só, mas sabemos que muitas vezes não vivemos no cenário ideal. Em um dos textos que postei aqui, o mantenha seu trabalho fixo, falei sobre a importância em ter um trampo fixo quando você não quer que seu hobby seja responsável pelos pagamentos dos seus boletos.

Apesar de já ter escrito sobre o tema, acho que nunca escrevi sobre como levei essa vida dupla no último ano – hoje estou 100% trabalhando com minha arte. Em meu último trabalho contratada, meu principal objetivo era juntar grana o suficiente para abrir o meu próprio ateliê. Mesmo sabendo que seria temporário, não quis abrir mão de fazer meu trabalho pessoal e continuar participando das feiras com minhas cerâmicas durante esse tempo. Para isso, não teve segredo, tive que deixar minha vida social de lado em algumas noites ou finais de semana.

Claro que não é preciso ser radical. Eu, na verdade, colocava algumas metas. Se tivesse alguma feira próxima a acontecer, eu ficava uns dois finais de semana focada na produção das minhas peças. Se tinha algum freela de ilustração, trabalhava depois do expediente por umas duas noites.

Para não enlouquecer ou me dar estafa mental também tive que dizer não para alguns trabalhos. Já que a ilustração não deveria me sustentar, era fácil negar os trabalhos que eu sabia que seriam roubadas pra mim.

Para treinar meu desenho, eu reservava um dia na semana pela manhã para ficar desenhando aleatoriamente. Resolvi arranjar um tempo para o trabalho que me fazia me sentir viva. Nem sempre era fácil e quase sempre eu estava cansada, mas o cansaço ia embora quando eu via o resultado final – me dava até mais energia para continuar no trabalho fixo.

Deixar de lado a desculpa de que eu não tinha tempo ou forças para fazer o que eu gostava foi o primeiro passo para eu conseguir conciliar os dois trampos. Também foi uma forma de não me sentir frustrada por abdicar do meu trabalho pessoal, mesmo que por um curto período.

Não vou dizer que foi sempre fácil – e nem que todas as vezes eu desenhava nos finais de semana ou de noite-, mas foi a melhor solução que encontrei para não parar de criar no meio da vida agitada.

E, você, já passou por essa situação? Tem outras dicas?