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Como descobri que todo mundo nasce criativo (ou quais as vantagens de vivenciar uma vida criativa?)

setembro 17, 2018

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Parece estranho mas só fui entender que criatividade era inerente a todas as pessoas há pouco tempo. Antes disso, eu acreditava que só existiam alguns tipos criativos (artistas, cientistas, escritores e inventores) – no qual eu me encaixava – e que eles eram especiais. Eu me sentia especial e talvez por isso acreditava tanto nessa máxima.

Isso até uma crise existencial bater na minha porta: se você é tão especial por que se sente tão perdida no mundo? Eu ficava em dúvida. Talvez eu não fosse uma boa criativa.

E quando comecei estudar criatividade, percebi que na prática eu sabia o que era ser criativa, mas na teoria eu não fazia ideia do que isso significava. Fui, então, pesquisar o assunto. Compreendendo o tema, descobri que ser mais criativo não só poderia trazer bons resultados para resoluções externas, mas que poderia ajudar – e muito – as pessoas serem melhores com elas mesmas.
Mas como que é isso, miwa?

Vamos lá, o assunto é bem longo, mas no texto de hoje vou tentar explicar meio basicamente como tudo isso funciona.

Ser criativo é mais ou menos assim: você tenta resolver problemas, mesmo com dificuldades e dúvidas.

Para ser criativo você precisa fortalecer algumas característica: mente aberta, espontaneidade, curiosidade, independência, iniciativa, coragem, persistência, otimismo, questionamento do status quo e a aceitação de fracassos. Grande parte desses atributos é desenvolvido naturalmente na educação infantil – dentro de casa e na escola.

Infelizmente, não temos uma educação baseada em desenvolvimento humano. Temos um sistema educacional pensado em suprir problemas econômicos de anos atrás, onde ter pensamento matemático era mais importante do que ter pensamento abstrato e subjetivo.

Os alunos saem da sala de aula sem a capacidade de questionar o mundo ao seu redor, de aprender (é tudo decoreba) ou de ter experiências diversas. O aluno não cria sua própria autonomia e como consequência origina-se o medo do desconhecido e da rejeição. Por isso, é realmente difícil ter confiança criativa quando você não tem as condições básicas para o seu desenvolvimento – mas “não criemos pânico” que a recuperação dessa confiança é possível e é assunto de outro texto que postarei em breve.

Se tivermos uma educação na infância que nos incentiva a nos autoconhecer melhor e a ter mais confiança e auto estima, conseguiremos ter qualidades para desenvolver o pensamento criativo. Além disso, o processo criativo é capaz de nos dar em troca mais autoconhecimento, confiança e auto-estima. É um círculo vicioso do bem.

Quem vive uma vida criativa é capaz de promover mudanças, tomar melhores decisões, mudar de direção com mais facilidade e encontrar mais facilmente soluções para problemas aparentemente impossíveis. Além disso, a criatividade promove mais otimismo, aumento de percepção de opções e ajuda na desconstrução do lugar comum.

Com a desconstrução do lugar comum, começamos a questionar o status quo.
Com essa indagação, entendemos que fazemos parte de uma comunidade: a forma como cuidamos dela e como cuidamos da gente reflete diretamente na qualidade de vida de uma sociedade inteira. Questionando, aprendemos a pensar. Pensando, entendemos que sofremos muitas pressões sociais que foram projetadas em nossas vidas e que não condizem muito com o nosso verdadeiro eu. Ao olhar pra dentro, avaliando nossas decisões através de nossa individualidade, enxergamos o nosso potencial e lugar no mundo.
Percebendo que somos um importante agente de mudança, recuperamos nossa autoconfiança.

Mais confiantes, temos mais chances de realizar nossos sonhos e atingir nossos objetivos nos tornando mais ambiciosos, empenhados, persistentes e resilientes. Com resiliência, nos sentimos livres da confusão causada pela ansiedade e pela dúvida durante o processo criativo e, por isso, ficamos mais dispostos e temos mais segurança para achar novas soluções.

Nos tornando mais confiantes, quem ganha é a nossa auto-estima. Recuperamos o reencantamento pelas descobertas da vida, expandimos nossa habilidade de viver e nosso universo imaginário.

O processo criativo também é capaz de promover o fluxo/flow que é muito benéfico para a nossa auto-estima. Já falei aqui sobre círculo vicioso do bem? Olha ele aqui de novo.  

Hoje, o Brasil tem uma das maiores taxas de depressão e transtorno da ansiedade, segundo a OMS. Consequência de um governo que não investe em cultura e educação e de uma sociedade que oprime as minorias, não aceita as diferenças, não questiona o status quo e focada no ter e estar – e não no ser. Resumindo, somos uma sociedade com uma autoconfiança e uma auto-estima baixa.

É por isso que debater criatividade é tão importante. Debater esse tema é falar sobre educação, política, economia, cultura e qualidade de vida. Se queremos ter uma vida melhor pra gente e para o mundo essa mudança tem que acontecer tanto dentro da gente, quanto fora. Uma coisa não vive se não costurada na outra.

Vamos fazer essa construção juntos? Vamos falar mais de criatividade? Bora?

 

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