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A arte de ser rejeitado

agosto 31, 2018

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Ilustração: Gizem Vural

Me lembro muito bem do meu último dia de escola, eu me sentia livre e com a sensação de que eu poderia dominar o mundo. Sempre fui uma menina nerd e comportada dentro de casa. Eu seguia as regras para não ter dor de cabeça – mas no fim de tudo era só um grande medo de ser rejeitada. Com o fim da escola e com a possibilidade de morar sozinha, eu sentia que todos os meus problemas tinham acabado: eu não precisaria mais me preocupar em ser perfeita com minhas notas altas e ser boazinha para os meus pais.

Eu não tinha mais que me preocupar com a rejeição. Eu era uma garota livre e com um mundo inteiro para conquistar.

Entrei na faculdade e percebi que as coisas não eram tão diferentes assim. O ensino universitário é também baseado em notas e dificilmente eu tinha um atendimento individual para que algum professor pudesse me auxiliar em qual carreira escolher dentro do meu curso.

Achei então que no trabalho eu poderia desenvolver minhas potencialidades, mas a história era bem parecida. Pediam para que fôssemos mais criativos e espontâneos mas na primeira oportunidade de criar um projeto inovador eu era barrada: “ah, isso não vende”, “isso nem vai passar pela diretoria”, “melhor a gente fazer o tradicional pra não ter erro”, eram algumas das desculpas que eu recebia. E pra entrar no jogo, comecei ser mais certinha, acatar com o que os meus chefes falavam e voltei a ter medo de ser rejeitada.

Saí das empresas, fui ser freela. Agora era a minha hora! Dessa vez eu ia conquistar o mundo, eu não tinha mais que dar satisfação pra ninguém. Mas o medo da rejeição já estava em mim e mesmo com muita coragem, às vezes eu paralisava, porque eu não queria errar e mostrar qualquer vulnerabilidade. E parecia que a cada ano que passava, eu tinha mais medo e menos coragem. Que que tava acontecendo?

Pois bem cansada que eu estava fui entender a rejeição. Falei sobre isso na terapia, procurei na internet e assistí a vídeos. Até que entendi que eu precisava relaxar, levar a vida menos a sério, brincar mais. Com essa premissa, resolvi entrar em qualquer desafio com o pensamento de “seja lá o que aconteça aqui, coisas ou boas ou ruins, estou aprendendo” e muita coisa mudou.

Me tornei mais curiosa. Quando alguém me critica ou não concorda com algum projeto meu, pergunto o por quê.
Quando me rejeitam, deixei de me colocar como vítima e tento entender o outro.
Quando exponho me opinião, não me coloco mais como sabichona.
Em palestras, eu parei de decorar o que iria dizer. Hoje vou com tudo na minha cabeça e só. O que eu sei, eu sei. O que eu não sei, aprendo com as trocas.

E quando eu vi, a minha vulnerabilidade virou um canal de conexão com outras pessoas. E o medo diminuiu.

Não que em algumas situações, eu não me veja paralisada. Acontece.
Mas hoje tenho mais consciência e confiança de que não é correndo da situação que eu conseguirei enfrentá-la.

É preciso viver sem o peso de “ter que dar certo”. É preciso não ter controle de nada. É preciso aceitar as possibilidades da vida.

Texto baseado no vídeo do TED:  “O que aprendi em 100 dias de rejeição” de Jia Jiang.

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