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Como a busca incessante em ser feliz no meu trabalho me deixou infeliz (ou como eu aprendi que a busca para ter um trabalho significante é outra)

maio 1, 2018

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Antes de começar este texto, gostaria de fazer uma introdução sobre os artigos que vocês vão ler no mês de maio (mês em que comemoramos o dia do trabalho) aqui no Caixa Ilustrada. Serão três textos sobre o mesmo tema: “trabalhar com o que ama e felicidade.” Em conversas com amigos, vejo que tem bastante insatisfeita com seu próprio trabalho ou carreira, por isso resolvi investigar se é possível ser feliz no trabalho. Então venham comigo nessa investigação e me ajudem a achar respostas comentando após cada texto.o. Bora começar a leitura?

“Como ser feliz no trabalho!”

Quantas vezes você já leu essa chamada? É artigo de revista, é livro, é post em blog. E quantas vezes ela não vem seguida da frase “para ser feliz no trabalho, é preciso trabalhar com o que se ama.

 

Eu, como todo mundo que quer ser feliz na vida, li todos os tipos de matéria sobre o tema. A máxima “é preciso ser feliz no trabalho” me fez acreditar que eu só teria sucesso e ficaria satisfeita com um emprego se eu fosse feliz e em toda a minha fase adulta, fui procurar essa tal felicidade. Só que essa busca só me deixava cada vez mais triste porque era incessante: eu nunca me sentia feliz mesmo sempre trabalhando com o que eu amava. Percebi então que talvez para entender melhor o que estava querendo me dizer, eu tinha que entender a raíz dessa frase: afinal, o que é felicidade?

 

Segundo o dicionário Michaelis, felicidade é um estado de espírito de quem se encontra alegre/satisfeito ou acontecimento/ situação feliz ou alegre.

Certo! Mas e o que é a busca da felicidade que estamos perseguindo tanto na nossa carreira?

Foi tentando dissecar esse assunto que encontrei em textos de psicologia e filosofia uma resposta que fazia mais sentido pra mim: “felicidade é um estado, não é uma condição de ser e, por isso, a busca pela felicidade é utópica visto que para ela realmente existir não poderia depender do mundo real, local onde a pessoa pode viver experiências como a derrota.” 

Bom, como sabemos, no trabalho sempre haverá dias bons e dias ruins – e algumas derrotas e frustrações. Então, ter felicidade plena no trabalho é impossível e, portanto, essa sentença jamais seria possível de ser realizada. O maior problema dessa busca é que você se projeta em um lugar que jamais será possível de alcançar. É uma guerra que já foi vencida antes mesmo de você começar a lutar.

Após entender isso, fiquei bem confusa mas não satisfeita com a minha resposta: não era possível que eu não conseguiria encontrar satisfação na minha vida profissional. E tentando me entender (e algumas seções de terapia depois), entendi que o que eu buscava era “tranquilidade” no trabalho e não felicidade.

Tranquilidade: Estado ou qualidade de tranquilo. Sem inquietação, perturbação ou alvoroço.

Para estar tranquilo em seu emprego é preciso realinhar muitas coisas como: entender que não existe trabalho perfeito, nem feliz, pois sempre haverá algo chato para ser resolvido nesse processo; que existe um mercado e é preciso seguí-lo se quiser pagar os seus boletos; e, o mais importante, entender qual é a sua visão de trabalho e sua visão de vida e alinhá-las. 

Das três coisas que falei acima, as duas primeiras dependem muito de condições externas (que não tem muito o que você faça) e a última depende apenas de você.

E o que é visão de trabalho? O que é visão de vida?

Visão de trabalho é o tipo de trabalho que você gostaria de ter pensando em suas condições, que podem ser: carga horário, local de trabalho, tipo de pessoas que quer interagir, o impacto desse trabalho na sociedade etc.

Visão de vida é o tipo de vida que você quer ter, que podem ser: onde você quer morar, que tipo de pessoas você quer se conectar, como quer dividir o seu tempo, quais as atividades que quer fazer, o que é importante pra você de verdade.

Só que pra ter essas respostas não é tão simples assim, mesmo porque tem vezes que a gente não sabe nem o que a gente quer almoçar. Para conseguir entender quais são as  suas visões é preciso ter autoconhecimento, autocuidado e terapia, muita terapia. É entender o que realmente faz sentido pra você – e apenas pra você. E não há uma resposta certa, nem imutável. É possível que você encontre este alinhamento hoje, mas que tudo mude amanhã. Nós temos mil vidas em uma vida só. Mudamos de opinião, temos novas experiências e amadurecemos. A sua visão de trabalho e de vida estão em constante mutação e entender isso também é bem importante.

Você pode ser o que quiser, inclusive ter um trabalho que goste e que se sinta realizado. Mas pra isso é preciso compreender o que você realmente quer. E não saber o que você isso é um dos motivos pelo qual muita gente que se frustra quando alcança o trabalho que tanto sonhou. Porque cria-se sonhos seguindo padrões da sociedade e pelo que falaram que é bom pra você.  

Estar tranquilo é estar em sintonia consigo mesmo. Além disso, para amar algo que você faz, primeiro você precisa se amar. É que nem um relacionamento mesmo. Não existe o “foram felizes para sempre” mas pode existir amor sim, desde que essa relação seja honesta.

Então, para qie você encontre satisfação no trabalho, vai aqui algumas dicas: vá a terapia, vá meditar, se ouça e tenha autocuidado. Saiba o que é realmente importante para você. E lembre-se que não é possível ser feliz o tempo todo em um trabalho. Desmistifique isso. Sabendo o que você quer e quem você é fica mais fácil encontrar o trabalho dos sonhos – e que esses sonhos também tenham as partes boas e ruins e que mesmo assim você deseje estar nele 🙂

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