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A arte de fazer o que quiser

março 24, 2017
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Ilustração: Leander Assmann

Michelangelo começou sua carreira como escultor até que o Papa Júlio II resolveu fazer uma encomenda para que ele pintasse o teto da Capela Sistina. Pedido que ele recusou porque achava que sua expertise não era pintura e também por nunca ter feito um afresco antes na vida. Não se achando capaz de assumir este desafio, ele disse não. O Papa insistiu mais uma vez, mais duas vezes. Não tendo mais como escapar, resolveu aceitar o desafio e criou uma das melhores e memoráveis obras do mundo. Michelangelo ter medo era compreensível: ele podia perder o título de melhor artista da região por não conseguir fazer uma obra fenomenal como os que ele já fazia como escultor.

Uma história um tanto curiosa e até meio absurda quando vemos o resultado final do trabalho de Michelangelo, mas se a associarmos com nossas vidas, te pergunto: quem nunca teve medo de assumir uma novo desafio na vida?

Richard Serra é um escultor contemporâneo exemplar mas começou como pintor. Um dia, Serra foi fazer uma viagem para Madri e viu a obra Las Meninas de Diego Velásquez. Nesta obra, Velásquez se auto retrata pintando uma tela e nós, espectadores, somos o tema da pintura. Quando Richard viu esta obra, pensou: estou estagnado na pintura, jamais conseguirei ter uma ideia genial como essa. No dia seguinte, ele pegou todas as suas telas e jogou em um rio. Resolveu que desistiria de ser pintor, mas não da criatividade. Começou, então, a brincar com outros tipos de superfícies com o objetivo de encontrar a sua voz na arte e criou, com a borracha como material, uma de suas mais famosas obras: The Lift, que hoje está exposta no MoMa. Ele encontrou sua própria voz na arte da experimentação.

Picasso começou sua carreira fazendo pinturas clássicas. Começou a experimentar, inventou o cubismo e durante sua carreira trabalhou com gravura, escultura, cerâmica e cinema. Yayoi Kusama começou sua carreira com pintura, mas depois fez esculturas incríveis com a sempre mesma temática: bolas. Patti Smith que queria ser pintora, desenhou, escreveu, recitou, atuou, fotografou e, por fim, virou cantora.

Em 2013, quando prestei um mestrado nos Estados Unidos, fui mostrar meu portfólio e a professora que me entrevistou perguntou porque eu só tinha feito ilustrações estáticas. Por que não tinha experimentado, por exemplo, vídeos ou trabalhar com outras mídias para aplicar meu trabalho. O que ela queria me instigar era porque eu não explorava mais outras possibilidades. A partir deste dia, repensei tudo que estava fazendo e fui experimentar. Desde então, já pintei muro, fiz escultura, criei objetos e, agora, ilustro em cerâmica e creio que isso não é o que farei pro resto da vida.

Resumindo, o status quo não é fixo quando falamos em criatividade. Podemos e devemos explorar novas mídia. Sair da nossa zona de conforto pode nos trazer novas ideias. Não tenha medo de tentar e experimentar. Seja o artista que quiser desde que não deixe a arte morrer dentro de você.

Texto baseado em Pense como um Artista, Will Gompertz. Editora Zahar. R$ 26,75  e na palestra do TED: 4 lições em criatividade – Julie Burstein.

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