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Nada é original

outubro 28, 2016
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Ilustração: Monica Garwood

 

Quando eu resolvi trabalhar com criação achava que iria ter novas ideias e criaria desenhos lindos. Tudo assim, do nada. Da minha cabecinha, mesmo, porque eu seria genial.

Mas daí que a realidade bateu na minha porta, deu uns dois tapas na minha cara e disse: “queridinha, num é assim que funciona, não. Existe uma frase que é assim: ‘nada se cria, tudo se copia’. Guarda isso aí que uma hora você vai usar.”

Demorei pra entender essa mensagem e fiquei por muito tempo tentando criar com as referências imaginárias da minha cabeça. Mas o resultado não era nada bom. Até que decidi deixar o preconceito de lado e resolvi copiar.

Para criar meu estilo, fiz um painel de tudo que eu gostava em ilustração: os traços, as cores e os estilos. E copiei. Esse processo aconteceu várias vezes porque toda hora eu mudava de interesse. Por isso, pude copiar de vários ilustradores.

No começo, meus desenhos pareciam muito com os dos meus ídolos – aliás, quem nunca desenhou Mangá ou personagens da Marvel? –, mas com o passar do tempo eles foram ganhando formas novas. E, quando percebi, já eram criações diferentes. Eram as minhas criações.

O motivo? Qualquer nova criação é uma grande mistura de outras ideias que são copiadas ou que já existem no nosso repertório de vida. Cada pessoa tem um repertório diferente, seja a sua cultura, sua criação ou seus interesses.

Essa tal cópia é bem comum no mundo criativo, mas ainda existe um grande tabu em relação ao assunto. Então, antes que confundam essa minha linha de raciocínio, deixa eu explicar melhor:

Você precisa copiar pra aprender qualquer coisa na vida. Pra criar uma melodia inédita, antes, o músico aprendeu a tocar suas músicas favoritas. O chef de cozinha, antes de criar um prato super elaborado, pegou vários livros de receita e copiou. O dançarino, pra fazer a sua própria coreografia, repetiu os mesmos movimentos da sua dança preferida. Com a ilustração não é diferente.

Porém, vamos entender que existe uma linha tênue entre copiar e plagiar:

  • Copiar de uma pessoa só ou de apenas uma ideia é plágio.
  • Copiar mil ideias, misturar e transformar em algo novo é referência.

Isso é muito importante de entender. Jamais faça algo exatamente igual ao de outra pessoa e venda como se fosse seu. Esta é a pior coisa que você poderá fazer, pra você, pra sua carreira e pro artista copiado, que trabalhou muito até chegar na sua própria identidade.

É desonesto com você e com os outros.

Não tenha medo. Copie de muitos, faça um remix , transforme em algo novo até achar a sua própria identidade. Daí, corre pro abraço – e me manda seu trabalho pra gente postar aqui. 🙂

Texto baseado em Roube Como Um Artista, Austin Kleon. Editora Rocco. R$ 29,50

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One Comment leave one →
  1. Jorge Barreto permalink
    outubro 31, 2016 2:25 pm

    Bacana, Gostei da matéria.

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