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Como eu aprendi a desenhar (ou como eu não nasci desenhando)

outubro 17, 2016

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Desde criança, tentaram me ensinar que pessoas nasciam com dons. E se você não nascesse com talento, esquece, jamais conseguiria ser muito bom em alguma coisa. Você seria mediano e tudo bem.

Lembro que eu falava pra minha melhor amiga no colégio: “eu não tenho talento nenhum. Eu não sou incrível em nada.” *LÁGRIMAS*. Relembrar essa história hoje só me faz pensar que tudo não passava de uma grande besteira.

Com o passar do tempo, fui ficando cada vez mais cética sobre o assunto. Não acreditava que alguém nascia desenhando, tocando piano ou fazendo um twist carpado. Concordava, sim, que havia pessoas com mais facilidade para algumas atividades, mas que não era um fator decisivo pra se tornar muito bom nisso.

Pra mim, o que faz uma pessoa ser realmente boa em alguma coisa é quanto tempo ela se dedica. Picasso, por exemplo, não nasceu fazendo Guernica, mas começou a desenhar com sete anos de idade. E desenhava todos os dias. Aos 13, ele já pintava quadros clássicos magnificamente bem.

Por isso, talvez, eu substituiria a palavra dom por dedicação. As pessoas nascem mais dedicadas do que outras em determinados assuntos. E isso foi comprovado cientificamente.

Em 1993, o psicólogo K. Anders Erickson criou uma tese sobre quantas horas eram necessárias para um aprendiz se tornar um mestre. Ele conclui que era preciso se dedicar por 10 mil horas! Ou seja, ninguém fica bom em algo sem suar muito, muito mesmo. Falando em números reais, isso significa três anos e meio de estudo intensivo, oito horas por dia, sete dias por semana, incluindo fins de semana e feriados. É tempo pra burro, mas não é impossível. É, aliás, bem acessível.

Esse foi um dos grandes incentivos que me fez acreditar que desenhar bem era possível (e o que é desenhar bem, afinal? Aliás, isso é texto pra outro post). Fui desenhar depois do expediente, durante os finais de semana, em feriados e até nas férias. Ficava desenhando a valer em qualquer momento livre. E foi assim que meu desenho evoluiu muito. Eu, que não desenhava quase nada, fui aprendendo a traçar, finalizar, digitalizar, colorir e, hoje, tenho a ilustração como profissão. 🙂

Por isso, da próxima vez que você pensar que não nasceu pra alguma coisa, lembre-se: você tem 10 mil horas pra treinar. Se você gastar esse tempo reclamando, pode se tornar mestre em reclamação, certo?

Que tal começar a se dedicar agora?!

 

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